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7/15/2013

iPad vai revolucionar o ensino, diz criador de escolas Steve Jobs



A tecnologia desenvolvida pela empresa de Steve Jobs inspira um novo modelo de escolas

Foto: Getty Images
“O mundo está mudando cada vez mais rápido, principalmente sob a influência da revolução digital.” Assim começa o manifesto do grupo holandês “Educação para uma nova era”, iniciativa que pretende revolucionar o formato de ensino nas salas de aula do mundo. Partindo de quatro princípios - unir o mundo real ao virtual, reconhecer diferentes tipos de talento, desenvolver habilidades coletivamente e aproximar a escola da comunidade -, as Escolas Steve Jobs, como estão sendo chamadas pelo uso do iPad como principal ferramenta pedagógica, tentam se adequar à vida no século 21. “Para a educação, a tecnologia cria novos desafios, bem como novas oportunidades”, declara o manifesto.
O pesquisador holandês Maurice de Hond, 65 anos, é um dos criadores do projeto. Para ele, as escolas atuais preparam as crianças para uma realidade que já não existe. “Em casa, as crianças vivem em um mundo multimídia, interativo e digital. E quando elas vão para a escola, elas veem como eram as coisas no passado. É um museu onde as crianças são preparadas para 1990 em vez de 2020”, diz.
Em casa, as crianças vivem em um mundo multimídia, interativo e digital. E quando elas vão para a escola, elas veem como eram as coisas no passado. É um museu onde as crianças são preparadas para 1990 em vez de 2020
Maurice de Hondespecialista em tecnologias
Foi em casa que Hond percebeu o potencial da tecnologia no mundo da educação. Uma de suas filhas (são cinco), então com menos de 2anos, pegou seu iPad e o manuseou com muita familiaridade. “O que me surpreendeu foi ela ter mostrado habilidades que eu jamais diria que uma criança daquela idade teria”, conta o holandês. “Era a revolução das crianças tomando forma”, revela.
Dali em diante, em 2010, com a parceria da professora Irene Felix, do especialista em educação digital Erik Verhulp e do diretor educacional Luc de Vries, Hond, que a princípio não tinha interesse em se envolver com o mundo da educação por considerá-lo “conservador” demais, passou a dar corpo à ideia de uma nova escola, preparada para os novos tempos. “Comece pelo novo olhando para o velho, em vez de começar pelo velho olhando para o novo”, ensina Hond.
Essa nova escola, que, para Hond, aproxima o real e o virtual, traz consigo a necessidade de uma reestruturação física e organizacional. A sala de aula tradicional, com quadro-negro, cadeiras, um professor à frente de 30 alunos, perde espaço para ambientes diferenciados e instigantes, como ateliês e classes com um número reduzido de crianças. Os potenciais máximos de cada realidade - física e virtual - devem ser explorados, explica Hond. “O prédio é o lugar onde as crianças se encontram no espaço físico. Use essa oportunidade para fazer as coisas em que o mundo virtual é inferior: se concentre em atividades físicas, interação social e cooperação”, afirma.

Com seus iPads constantemente próximos (dentro e fora das salas), os alunos têm a escola virtual disponível sempre e em toda a parte. Hond defende o uso do aparato tecnológico, pois ele auxilia a criança de uma forma que um professor, atento a toda uma turma, não consegue. “As crianças aprendem o que os professores conseguem ensinar, e normalmente o desenvolvimento pessoal do aluno é restringido pela velocidade do desenvolvimento médio da sala de aula. O iPad é uma ferramenta personalizada de ensino perfeita, pela qual a criança é capaz de desenvolver-se fora da zona de conforto do professor”, aponta. Tudo isso, ressalta Hond, mostra que o papel do professor está se tornando mais o de um guia e treinador do que de alguém que está dando uma lição para toda a classe.
Grupos por idades
Outra mudança de formato nessa nova sala de aula é a divisão por idades. O grupo “Educação para uma nova era” defende que as crianças sejam divididas em dois grupos etários: 4 a 7 anos e 8 a 12 anos. As atividades coletivas acontecem entre as 11h e as 15h, horários que os alunos devem estar presentes no colégio. Fora desse turno, é o próprio estudante que define, com o professor, sua tabela horária.

Os aplicativos utilizados no iPad pelas crianças registram os avanços conquistados e estão disponíveis para avaliação dos pais e professores, podendo ser substituídos se não apresentarem os resultados esperados. Outro uso da ferramenta é para a criação: “Nós queremos que os pupilos usem os iPads para registrar o que aprendem e sabem, seja através de vídeos, áudios, fotos, animações. Esse é um valor novo e revolucionário do tablet que se diferencia do velho formato de ensino”, analisa Hond.
Inicialmente, 11 escolas ensinarão sob os preceitos da “educação da nova era”. Elas abrem as portas em agosto de 2013, em diversas partes da Holanda. No entanto, revela Hond, muitas outras instituições estão mostrando interesse por esse novo formato de ensino, e novas Escolas Steve Jobs poderão surgir em 2014. Hond explica que o nome das instituições, além de se referir ao uso de iPads, é uma homenagem ao criador da Apple, que, na sua visão, “mudou o mundo com produtos que unem tecnologia e criatividade”.
O questionamento levantado pelo manifesto do grupo holandês “Educação para uma nova era” ecoa pelo mundo: “Nós realmente preparamos nossos alunos para o futuro em vez do passado?”. No fundo, a verdadeira questão, aponta Hond, não é a tecnologia, são as pessoas. “Nossa iniciativa é um pouco uma jornada ao desconhecido. Mas muitos professores sentem que atualmente estão presos em um sistema antigo, no qual as crianças têm se desenvolvido muito fora da escola com o uso de ferramentas digitais. O que estamos dizendo a eles é que os componentes mais importantes para o professor são: confiem nos jovens, não queiram controlar tudo e deixem as crianças surpreendê-los”, ensina.[Fonte: Terra]

6/26/2013

Aula tradicional perde espaço para alunos cada vez mais conectados

A professora April Burton explica as regras da gramática francesa ou detalha expressões e aspectos do vocabulário do idioma como faria normalmente numa sala de aula, só que em um vídeo de cinco minutos que seus alunos assistem em casa, na frente de seus computadores ou através de seus smartphones.
No dia seguinte, eles farão os exercícios práticos na presença dela, de acordo com chamado método "invertido", uma forma diferente de ensino, possível graças às novas tecnologias digitais que estão transformando a educação.
Burton, professora do Liceu Francês Francis Howell, em Cottleville, no estado do Missouri, decidiu lançar mão dessa estratégia pedagógica porque sentiu que "as coisas precisavam mudar". "Havia tanto o que fazer com os estudantes, mas nunca tínhamos tempo", conta.
Essa estratégia de ensino é popular nos Estados Unidos desde a postagem na internet dos vídeos da Academia Khan (http://www.khanacademy.org/), que oferece gratuitamente milhares de cursos e exercícios online.
Para levar esta metodologia adiante, a professora precisou modificar um software e criar uma página na internet e um novo tipo de apresentações de PowerPoint. "Madame Burton", como a professora passou a ser chamada no seu site, tem 14 anos de experiência e explica as regras da gramática ou detalha expressões e aspectos do vocabulário em um vídeo de cinco minutos que seus alunos assistem de casa.
"A aula tradicional deixou a sala de aula e os estudantes agora aproveitam o tempo em sala para fazer exercícios, pesquisas pessoais, trabalhos em grupo e apresentações", disse.
No vídeo em que explica a conjugação do verbo "pouvoir" se pode ouvir sua voz, vê-la escrevendo no quadro e sublinhando as palavras. Para ensinar os adjetivos demonstrativos, a professora adiciona desenhos e fotos. "Na verdade, o que digo com um Power Point, antes seria explicado em aula", explicou.
O estudante abre de casa o vídeo no computador, no tablet ou no celular e pode fazer as lições no seu ritmo, além de fazer anotações. Caso não entenda alguma coisa, pode perguntar no dia seguinte na sala de aula.
"Entro na sala, falo individualmente com cada estudante e vejo se há alguma pergunta. Passo a conhecê-los melhor, já que estou falando de igual para igual", disse Burton.
"Em tese, há muito tempo se pode dizer aos estudantes: 'Peguem o livro em casa, leiam este capítulo e venham fazer as tarefas na escola', mas, se isso funcionasse, já seria feito há muito tempo. Porém, o vídeo é uma maneira muito mais fácil", explica à AFP Pascal-Emmanuel Gobry, fundador da Noosphere, uma empresa de pesquisa voltada para a relação da educação com as novas tecnologias.
Os tablets, smartphones e reprodutores de música, cada vez mais sofisticados, podem armazenar milhares de aplicativos, softwares, conteúdo e imagens que podem ser fartamente usados na educação, para ampliar ou completar um curso online.
"As novas tecnologias mudaram o ensino, assim como a revolução industrial transformou a sociedade agrária", explica Mike Kaspar, representante da Associação Nacional de Educação (NEA), o maior sindicato de professores dos Estados Unidos.
Para Gaspar, essas tecnologias mudaram "a forma de passar o dia na escola, de pensar a conveniência ou não de utilizar livros impressos ou digitais, vídeos, jogos, etc.", acrescentou.
TeachThought, uma plataforma online para educadores, prevê que, até 2028, ocorrerá uma perda de docentes e escolas, com focos de resistência e "aumento das desigualdades socioeconômicas", sobretudo pelo custo da tecnologia.
Burton destaca que as crianças de hoje são diferentes das gerações anteriores, que se sentavam em suas carteiras e recebiam as informações que os professores os davam. "Elas estão o tempo todo jogando, enviando mensagens de texto para os amigos, vendo vídeos no Youtube. Não se pode esperar que se sentem em uma sala de aula e escutem", opina.
Mackenzie Klotzbach, de 15 anos, gosta das aulas "invertidas". "Chego pronta para a aula, aprendo melhor", disse. "O futuro, o passado, o imperfeito... fácil. Mas os pronomes dos complementos de objeto são um pouco difíceis!" [Fonte: Terra]

6/13/2013

Estudo: alunos não acham aulas úteis e reclamam de falta de tecnologia

Uma pesquisa feita com jovens de baixa renda no ensino médio de São Paulo e do Recife indica possíveis motivos para o desinteresse de muitos desses estudantes pela escola. Entre as causas, estariam a falta de conexão entre as disciplinas e as necessidades reais dos alunos; as faltas e o pouco contato dos professores; o baixo uso e até proibição de tecnologia nas escolas.
Disciplinas úteis
Cerca de 1 mil jovens responderam à pesquisa, segundo o artigo que detalha o estudo. Desses, 78,8% e 77,6% dos alunos consideram úteis as disciplinas de língua portuguesa e matemática, respectivamente. Já no caso de geografia, história, biologia e física, menos de 36% dos estudantes as consideram úteis. A pior avaliada foi literatura: 19,1%.

Absenteísmo
Os alunos reclamam das faltas dos professores. Dos entrevistados, 42% disseram não ter tido pelo menos uma das aulas programadas. O jovens dizem muitas vezes também haver um conflito com o educador - sem relação com frequência, pontualidade e outros aspectos técnicos, mas com problemas individuais.

Tecnologia
A pesquisa indica que, mesmo com a baixa renda (46,6% das famílias dos jovens entrevistados possuem ganham menos que R$ 1,5 mil), 70,7% têm acesso à internet e 57,6% usam celular e tablet para conferir sites e redes sociais.

A proibição de uso de dispositivos móveis, a dificuldade de acesso à internet e falta de uso de tecnologia em aula também são alvos de queixas. Conforme 73,8% dos entrevistados, sua escola têm computadores, mas 37,2% dizem nunca ter usado o equipamento.
Ambiente e segurança
Outra queixa dos jovens é em relação ao ambiente escolar. Para 38%, as salas são mal conservadas e a maioria deles liga este problema à sensação de insegurança nos colégios. Nem todos os alunos entrevistados tinham equipamentos básicos em suas instituições de ensino - computadores, bibliotecas e quadras de esporte - e, quando eles existem, em mais de um quarto dos casos a utilização deles nunca ocorre.

Escola e projeto de vida
A quinta reclamação mais comum entre os estudantes é a suposta falta de relação entre a escola e sua vida. Para um em cada cinco alunos, as aulas servem somente para conseguir um diploma. Para eles, as disciplinas não têm relevância para sua vida, mas o certificado garante maiores chances de uma vaga no mercado de trabalho.

O estudo foi realizado pela Fundação Victor Civita (FVC) e Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em parceria com o Banco Itaú BBA e a Fundação Telefônica Vivo. [Fonte: Terra]

3/18/2013

É possível fazer educação de qualidade sem escola, diz educador


A escola do futuro não existirá. Ela será substituída por espaços de aprendizagem com todas as ferramentas possíveis e necessárias para os estudantes aprenderem. Esta é a expectativa de Tião Rocha, educador, antropólogo e uma das principais referências em ensino de folclore e cultura popular. Para ele, educação se faz com bons educadores e o modelo escolar arcaico “aprisiona” e há décadas dá sinais de falência. “Não precisamos de sala, precisamos de gente. Não precisamos de prédio, precisamos de espaços de aprendizado. Não precisamos de livros, precisamos ter todos os instrumentos possíveis que levem o menino a aprender”, defende.​
E é isso que o educador tem feito nos últimos 30 anos, desde que teve “um clarão” e deixou o emprego de professor na Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto) para fundar o Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, organização não-governamental sem fins lucrativos, criada em 1984, em Belo Horizonte (MG). Na cidade de Curvelo, no sertão mineiro e capital da literatura de Guimarães Rosa (autoproclamada pelo escritor), Tião iniciou um projeto pedagógico baseado no uso da cultura local como matéria-prima do ensino e na proposta de que a educação acontece em qualquer lugar. E foi debaixo de um pé de manga que a pedagogia da roda começou. Em círculo, as crianças discutem, avaliam e decidem a atividade do dia.
Sua proposta de uma educação mais livre já atingiu mais de 500 educadores e 20.000 crianças. O projeto é reconhecido internacionalmente e foi levado a Moçambique e Guiné Bissau. “Nós comprovamos que é possível sim fazer educação de boa qualidade sem escola, em qualquer lugar. E aprendemos também que só podemos fazer boa educação, se tivermos bons educadores. Bons educadores são aqueles que geram processos permanentes de aprendizado e não repassadores de conteúdo”, afirma.
Autor premiado de propostas pedagógicas e livros didáticos sobre o uso do folclore e da cultura popular no ensino básico. Em 2007, Tião recebeu o prêmio Empreendedor Social, do jornal Folha de S.Paulo e da Fundação Schwab. Confira a entrevista concedida aoPorvir por telefone:
As escolas e os professores estão valorizando mais cultura popular?
Tião Rocha - A percepção das observações que eu tenho é no caminho oposto. Não vejo como prática ampla. Alguns professores, algumas escolas, por iniciativa muito pessoal, dão importância para a cultura popular, mas isso não acontece como parte integrante de um sistema educacional. Sinto que ela está sendo cada vez mais substituída e, de certa forma, denegrida em função de outro conceito que é a internet, as novas mídias, a tecnologia. Há uma supervalorização dessa modernidade em detrimento das tradições. Quando os meninos vão para a escola, de onde eles vêm, o que eles aprenderam, a herança que eles trazem têm importância zero. A escola está interessada em formar tecnicistas.

Qual é a importância de valorizar a cultura popular?
Rocha - A grande questão é a ideia de as pessoas se sentirem parte integrante do território. Sentir que pertencem a algum lugar e que esse lugar está ligado e eles. Eles não estão soltos. A cultura popular e tradições trazem a identidade das pessoas para transformar indivíduos em pessoas. Esse afastamento das pessoas, da sua realidade, do seu mundo, do seu universo de tradições familiares e culturais é um problema sério de falta de fixação do indivíduo com sua identidade. Ele vira massa de manobra.

Recentemente o Rio de Janeiro inaugurou o Gente, uma escola municipal sem salas de aula, séries e carteiras ordenadas em fila. O espaço físico da escola está mudando? Como o senhor vê esse processo?
Rocha - Acho que estamos caminhando, mas de forma muito lenta e atrasada, porque esta não é uma questão é nova, é bem antiga. Está muito arraigado no âmbito da sociedade, das nossas elites políticas, dos nossos dirigentes, que educação e escolarização são a mesma coisa. Há 30 anos eu me perguntava se era possível fazer educação sem escola ou debaixo de um pé de manga. Comprovamos que é possível sim fazer educação de boa qualidade sem escola, em qualquer lugar. O MEC continua produzindo cartilhas, distribuindo livros didáticos e os professores vão continuar a dar a mesma aula de sempre. As escolas vão continuar com seis aulas de matemática e nenhuma de cidadania, solidariedade ou artes. E continuarão com aulas de 50 minutos, como se todo mundo aprendesse em 50 minutos – essa imbecilidade continua presente em 2013.

Não precisamos de sala, precisamos de gente. Não precisamos de prédio, precisamos de espaços de aprendizado. Não precisamos de livros, precisamos ter todos os instrumentos possíveis que levem o menino a aprender.
Tião Rochaantropólogo e educador
O que precisa ser feito?
Rocha - Precisamos escancarar isso. Não precisamos de sala, precisamos de gente. Não precisamos de prédio, precisamos de espaços de aprendizado. Não precisamos de livros, precisamos ter todos os instrumentos possíveis que levem o menino a aprender. Não podemos ter um modelo como a escola, que deixa a maioria para trás, aproveita o mínimo e vai “informando” gente que não é crítica, que não pensa, que não age, que não é bom cidadão. Eu gostaria que um dia abolissem a escola. Será que nós sabemos o que colocar no lugar? Se tivermos boas referências, vamos fazer isso que está sendo feito nesse exemplo que você deu (da escola municipal do Rio de Janeiro). Não teremos escolas, teremos um galpão, um espaço de aprendizagem. Um dia vamos acabar com o MEC também. Não precisa ter Ministério da Educação, precisa ter Ministério do Conhecimento.

Nesse futuro que o senhor imagina, como seriam os espaços que sucederiam às escolas?
Rocha - As escolas têm grades, têm currículo. É uma cadeia, uma prisão. Em vez de ela ser um espaço gerador de conhecimento, ela aprisiona conteúdos e determina que tipos de conteúdo os meninos precisam aprender – uma visão absolutamente equivocada. E para que os meninos precisam aprender isso? “Ah, é porque eles precisam vencer na vida”. Vencer na vida é o quê? É ganhar dinheiro, virar classe média alta? Se é pra ser feliz, eles tinham que ter mais música, mais poesia, mais solidariedade, e menos matemática, menos química. Eu defendo que todas as escolas, do pré-escolar ao pós-doutorado da USP, deveriam ter a mesma base curricular, a Carta da Terra. Todos deveriam estudar tudo baseado nesse documento, que pra mim foi o maior consenso que a humanidade já produziu. Um pacto com 16 artigos, de 185 países. Mais de 5.000 instituições passaram anos discutindo para chegar nisso. E ela está aí como letra morta, mais um papel.

Vai demorar 50 anos para chegar um tablet na zona rural, e a zona urbana estará 50 anos na frente em termos de tecnologia, ou seja, nós estamos fazendo desigualdade de acesso às tecnologias de informação e comunicação.
Tião Rocha
Como o senhor avalia as tecnologias e inovações que estão chegando às salas de aula? Como usá-las de forma positiva para valorizar a cultura popular?
Rocha - Acho que, de maneira geral, as tecnologias são meios e portanto estão a serviço e têm que atender uma causa. Há um avanço tão amplo nas tecnologias de informação e comunicação, os chamados TICs. Temos tanto TIC, tanto TIC, que hoje as pessoas estão tendo tique nervoso. É TIC demais. E para mim esses TICc só fazem sentido quando se transformam num “TAC”. Para cada Tecnologia de Informação e Comunicação, deveria haver uma Tecnologia de Aprendizado e Convivência. A grande questão é como transformar isso em um instrumento de aproximar e produzir solidariedade e compreensão nas pessoas. Vai demorar 50 anos para chegar um tablet na zona rural, e a zona urbana estará 50 anos na frente em termos de tecnologia, ou seja, nós estamos fazendo desigualdade de acesso às tecnologias de informação e comunicação. [Fonte: Terra]

Jogar é o principal meio pelo qual aprendemos, diz diretor do MIT


Para especialistas, games devem ser aceitos dentro da escola




Crianças brincam com aplicativo de tablet em Londres: "temos que trazer isso para dentro das escolas" Foto: Getty Images
Crianças brincam com aplicativo de tablet em Londres: \"temos que trazer isso para dentro das escolas\" - Foto: Getty Images

Fazer um game não parece ser uma tarefa muito fácil para ninguém. Inserir dados educativos que, de fato, consigam ensinar os jogadores parece ser ainda mais complexo. Durante o SXSWedu, três especialistas deram algumas dicas que mostram que, apesar de difícil, desenvolver um jogo para ser usado na sala de aula não é impossível. Para tanto, é preciso ter em mente que, apesar de o jogo reunir diversos conteúdos, o professor precisará complementar aquela experiência do aluno com algumas informações. A ferramenta, porém, não pode ser um trabalho a mais para o educador, mas uma ajuda para sua aula. Acima de tudo, os games precisam ser divertidos.
Confira abaixo esses e outros conselhos de Katherine McMillan Culp, cientista de pesquisa sênior do Center for Children; Greg Chung, diretor adjunto de pesquisa e inovação do National Center for Research on Evaluation, Standards, and Student Testing (Cresst); Scot Osterweil, diretor de pesquisa de mídia comparativa no MIT.
1. Divertido, acima de tudo
“Se você não achar que aprender é divertido, você vai falhar. Esse é o desafio atual. Jogar é o principal meio pelo qual nós aprendemos, eu sempre começo um projeto pensando onde uma pessoa pode se divertir e jogar com esse conteúdo.”Scot Osterweil


2. O conteúdo não se esgota 
“Fizemos um game sobre um robô que precisa de luz solar e água para quebrar moléculas e gerar energia. Não é preciso dizer o que é fotossíntese e que a molécula é glicose no game, esse será o papel do professor. O game não precisa entregar todo o conteúdo. Os alunos jogam e o professor que vai explicar o que é glicose, a molécula etc. O game constrói a lógica e faz tudo isso fazer mais sentido.” ​Katherine McMillan Culp


(Os jovens) levam para o game algumas das habilidade do século 21, como a resolução de problemas, trabalho em equipe, e nós gostaríamos que eles tivessem esse mesmo pensamento na sala de aula
Scot Osterweil - diretor de pesquisa de mídia comparativa no MIT
3. Uma ajuda na vida do professor
“Quando desenho um game, penso que o professor já se preocupa com várias coisas e que o game tem que ser facilitador, tem que ajudar e que ele não precise ser comprometido com aquilo. Uma inversão interessante é chamar os alunos para aprender a jogar e desafiar eles a ensinarem os professores a jogar. Os professores não precisam saber jogar, eles podem aprender.” Scot Osterweil

4. A motivação de fora da escola dentro dela
“Estamos vivendo em um tempo em que os jovens estão jogando muito. Não quer dizer que eles estejam aprendendo muito, mas também não devemos pensar que todo esse tempo é desperdiçado. Eles levam para o game algumas das habilidade do século 21, como a resolução de problemas, trabalho em equipe, e nós gostaríamos que eles tivessem esse mesmo pensamento na sala de aula. Eles deixam isso lá fora, acham que a escola não tem nada a ver com essas questões. Temos que trazer isso para dentro das escolas.” Scot Osterweil

5. A importância do erro
“Um bom game dá oportunidades de falhas sem transformar o aluno em um perdedor. Quando ele para num ponto que não consegue avançar, ele vira para o amigo e pergunta: ‘Como eu passo dessa fase?’ Os professores devem aproveitar esse momento para ensinar algo de matemática que eles precisam saber para passar de nível. A oportunidade de errar é importante porque eles vão aprendendo com as dificuldades.” Greg Chung

6. A capacidade de adaptação
“Depois de 20 anos desenhado games, acho que gastamos muito tempo na frente da tela. O desafio das escolas também é pensar qual o formato terão acesso, se é uma tela digital, tablet, computador. Podemos usar uma pequena tela para grupos isso também pode ser bem interessante. Times competindo com outros times, por exemplo. Escolas com pouca tecnologia precisam pensar em outros formatos e o game precisa acompanhar essas adaptações.” Scot Osterweil

Se você quiser saber mais sobre aprendizado baseado em jogos, fique atento. Esses e outros debates sobre games na educação poderão ser conferidos no dia 4 de abril no Transformar 2013, evento promovido em parceria entre o Instituto Inspirare e a Fundação Lemann.[Fonte: Terra]

1/01/2013

Salas do futuro trocam quadros e cadernos por telas interativas


Na escola fundamental, alunos poderão trabalhar em mesas que permitem interações. Na universidade, a virtualidade pode transformar qualquer lugar num cenário para aprender. Algumas escolas da Alemanha estão usando tecnologia de ponta como apoio didático. O Futurando mostrou como os alunos aprendem de forma divertida, fazendo passeios virtuais por lugares históricos ou estudando o corpo humano em visualizações tridimensionais.
Mas essa não é a única proposta. No mundo inteiro, pesquisadores buscam soluções tecnológicas para incrementar o ambiente de ensino e proporcionar cenários mais atraentes para uma geração que já nasceu na era digital. No que depender da criatividade e das pesquisas, vai ser cada vez mais interessante ir à escola.
Gigantes da tecnologia estão interessadas em participar desse mercado. A Microsoft e a Intel desenvolvem projetos para antecipar os próximos passos. A empresa de Bill Gates criou um vídeo com animações computadorizadas que mostram o conceito de uma sala de aula como espaço para trocas multiculturais. Nela, crianças de diferentes países conversam em tempo real sobre suas culturas, por meio de telas interativas gigantes que funcionam como janelas do conhecimento.
Mas também existem sugestões mais imediatas, como a integração à sala de aula de uma plataforma de vídeo-games com sensores de movimento. Outra estratégia da Microsoft são os softwares voltados para atividades em diversas disciplinas, facilitando a vida dos professores, na hora de executar o planejamento.
Já a Intel propõe soluções específicas para o ambiente escolar e criou computadores portáteis para uso em sala. Os laptops substituem papel, cadernos e livros. Mas a visão de futuro vai além: o quadro-negro perde espaço para uma tela interativa de largas dimensões, na qual o professor precisa apenas tocar para buscar imagens, textos ou fazer simulações de projetos. Para transformar o conteúdo das aulas em objetos palpáveis, a sugestão é que os alunos tenham acesso a impressoras tridimensionais.
Mesas
Um projeto da universidade inglesa de Durham transforma as mesas em computadores. No lugar das tradicionais carteiras, as crianças trabalham em telas interativas sensíveis a toques simultâneos. Os primeiros testes das mesas feitos pelos pesquisadores apontaram um ganho no desempenho dos estudantes em matemática.

Já um projeto da Universidade da Colúmbia Britânica, Canadá, faz um exercício de imaginação e esboça como seria uma sala de aula de ensino superior em 2020. A primeira mudança está no espaço físico. No conceito desenvolvido pelos pesquisadores, o estudante não precisa mais se deslocar até a escola: ele acompanha as aulas à distância, e os conteúdos são apresentados em seminários pelos próprios alunos, num programa colaborativo de educação. Além disso, as aulas podem ser acompanhadas até mesmo por telefones celulares conectados à internet, o que confere mobilidade aos estudantes e transforma qualquer espaço numa sala de aula. [Fonte: Terra]

2/08/2012

Professores devem monitorar uso de novas tecnologias em aula


Antes, cadernos e quadro-negro reinavam absolutos nas salas de aula. Hoje, dividem espaço com tablets, netbooks e lousas digitais. Se os novos estímulos tornam as aulas mais dinâmicas e interessantes, eles podem ser uma ameaça ao rendimento escolar. Para assegurar o bom desempenho de jovens e crianças, especialistas alertam: o acesso às ferramentas tecnológicas deve ser constantemente monitorado.
Desde o ano passado, o Colégio Pitágoras Cidade Jardim, no Rio de Janeiro, estimula o uso da tecnologia dentro da sala de aula. Para isso, os cerca de 1.100 alunos têm acesso a diferentes plataformas, disponibilizadas de acordo com a tarefa prevista. Segundo a gerente de conteúdos e serviços pedagógicos da educação básica da Rede Pitágoras, Adélia Martins de Aguilar, os tablets auxiliam os professores durante a pesquisa. "É um mecanismo para consumo de conteúdo", diz. Já nos momentos de produção textual, por exemplo, a proposta é lançar mão do netbook.
Antes de liberar totalmente o acesso a conteúdos disponíveis na web, a escola deve tomar uma série de cuidados. Segundo Adélia, no caso do Pitágoras, softwares ajudam a monitorar o que os alunos fazem enquanto estão com os olhos grudados na tela. "É possível acompanhar em tempo real tudo o que eles fazem. A mídia é sedutora, dá muitas possibilidades. Eles precisam de orientação", afirma.
Lúcio Teles, professor de Informática na Educação da Universidade de Brasília (UnB) reforça a tese de Adélia. "Para evitar que eles se deslumbrem com as possibilidades da rede, é preciso estar atento ao que acontece durante a aula", diz. Segundo Teles, softwares que bloqueiam o acesso a alguns sites podem evitar a dispersão - mas, para o especialista, esse não é o método mais adequado. "O estudante precisa ser motivado. Ele deve utilizar a tecnologia a seu favor, somando conteúdo às aulas", explica.
Uma das saídas é organizar a turma em grupos, de modo que um monitore o outro. "Dois ou três alunos podem trabalhar juntos, enquanto o professor circula por entre as mesas. Além de poder acompanhar o processo, torna a aula mais colaborativa", sugere.
Teles diz não ter medo de competir com as novidades. "É normal apresentar resistência no início, mas, para obter êxito e motivar a turma, é preciso se preparar", afirma. O especialista acredita que, atualmente, a maioria dos profissionais não sabe lidar com as novas ferramentas. Adélia conta que, para evitar que o corpo docente trabalhasse com ferramentas com as quais não sabe lidar, o Colégio Pitágoras promoveu capacitações antes do início do projeto.
"Eles conheceram os equipamentos, manusearam os dispositivos, fizeram perguntas. Para conseguir bons resultados, é importante conhecer todas as possibilidades", explica. "Nós queríamos resultado, e a tecnologia permitiu que melhorássemos muito o desempenho de nossos alunos. A grande questão é o docente ter paixão pelo conteúdo e se apropriar de novos métodos, proporcionando avanços em sala de aula", acrescenta.[Fonte: Terra]

2/07/2012

"iPad em sala de aula é como dar um videogame", diz educador



Sugata Mitra é pesquisador e professor de Tecnologia Educacional da Newcastle University, da Inglaterra, e professor visitante do Massachusetts Institute of Technology (MIT)
Foto: YouTube/Reprodução
Para o professor da Universidade da Inglaterra, Sugata Mitra, que participa da EducaParty, dentro da Campus Party Brasil 2012, a educação precisa sofrer uma drástica mudança estrutural e ideológica de paradigma. Na contramão de outros educadores, Mitra criticou em entrevista exclusiva ao Terra a prática cada vez mais comum em escolas e universidades, ao redor do mundo, de presentear os alunos com dispositivos tecnológicos com o objetivo de introduzir a tecnologia na educação. "Dar iPads, por exemplo, é fornecer ao aluno uma nova maneira de jogar videogames".
Segundo Sugata, os professores precisam introduzir a tecnologia dentro do processo educacional e usar os recursos como agregadores de conhecimento - e não substituidores de seres humanos. E, para isso, eles têm de olhar menos para os livros didáticos para entender o processo educacional. "A educação precisa acontecer de baixo para cima, e os professores têm que aprender com os alunos", afirmou o pensador.
Na opinião dele, um futuro melhor é feito por meio das dúvidas e das perguntas que fazem pensar - e não do simples ato de respondê-las. Por isso, o papel que o professor tem hoje é secundário. "Um professor, atualmente, responde perguntas dos alunos. Ele é o Google. Isso não está certo. O professor precisa ser mais do que o Google. Ele precisa ser a pessoa que também faz perguntas, que instiga a imaginação de um jeito provocativo", afirmou.
Convidado especial da Fundação Telefônica|Vivo, Sugata, que se assumiu ex-hacker, é o criador do projeto Hole in the Wall, aplicado em uma favela de Nova Délhi, na Índia, onde ele mesmo nasceu. Computadores eram colocados em uma sala e buracos na parede eram feitos. Educadores observaram, através dos buracos, as crianças tendo o primeiro contato com a web e concluíram que o aprendizado era autômato.
"Quando elas tinham dúvidas, elas perguntavam ao Google, entendiam a resposta e a memorizavam. Isso não é interessante?", provocou Sugata ao relacionar esta ação "digital" ao papel do professor contemporâneo. E é justamente neste ponto que a teoria encontra a prática de acordo com os resultados do estudo que ele propôs.
A primeira visita de Sugata Mitra à Campus Party
Sugata Mitra participa pela primeira vez do evento em 2012, mas já esteve no Brasil outras vezes. "Estou ansioso porque eu sei que é um encontro de tecnologia enorme e com muitas pessoas dispostas a falar sobre coisas novas", disse o professor.

Além de participar do EducaParty, ele também fará um encontro com um grupo de crianças do Parque Santo Antônio, em São Paulo, no qual discutirá o papel fundamental nelas na necessária revolução da educação.
Campus Party 2012
A Campus Party, o maior evento geek do planeta, realizado em mais de sete países, acontece entre os dias 6 e 12 de fevereiro de 2012. A sede é o Pavilhão de Exposições do Anhembi Parque, na zona norte de São Paulo (SP). Pelo quinto ano consecutivo no Brasil, a edição de 2012 já começou batendo recordes: todas as entradas foram vendidas em 22 dias em setembro do ano passado.

Com 7 mil participantes, sendo 5 mil acampados no local , a Campus Party oferece neste ano mais de 500 horas de conteúdo. Os principais nomes desta edição são Michio Kaku, conhecido como o "físico do impossível", Sugata Mitra, pesquisador e professor de Tecnologia Educacional da Newcastle University, Julien Fourgeaud, gerente de produtos e negócios da Rovio, John Klensin, pesquisador do MIT, e Vince Gerardis, co-fundador da Created By, entre outros.[Fonte: Terra]

7/04/2011

Escolas do Brasil têm 3ª pior taxa de computador por aluno

Dados da OCDE revelam que a média de alunos por máquina no país é de 6 para 1. Com resultado, Brasil fica à frente apenas da Tunísia e Indonésia em ranking.

A inclusão digital dos alunos do ensino básico ainda é um grande desafio para o Brasil. É o que mostram dados divulgados nesta terça-feira pela OCDE, organização que reúne os países mais desenvolvidos do mundo, com base nos resultados da avaliação internacional Pisa. De acordo com o levantamento, as escolas brasileiras oferecem, em média, um computador para cada 6,25 estudantes - ou 0,16 computador por aluno. O número rende ao país o posto de terceira pior colocação no ranking da inclusão digital, à frente apenas de Tunísia e Indonésia.
A Austrália é o país mais bem colocado na lista, que inclui 65 nações. No país da Oceania, a oferta é de 1,03 aluno por computador. Na China, a média é de 1,75, enquanto a média dos países-membros da OCDE é 1,69. Na Colômbia, o mais bem colocado da América Latina, a média é de 2,85 alunos por máquina.
O estudo mostra ainda que 53,3% dos estudantes brasileiros analisados declaram ter um computador em casa. A estatística é 129% maior que em 2000, quando apenas 23,2% afirmaram possuir o equipamento. Apesar do crescimento expressivo, o país ainda esta longe das nações mais ricas. A média registrada pelos países-membros da OCDE foi de 94,3%, ou 41 pontos porcentuais a mais do que no Brasil.
O acesso à internet em casa também cresceu, diz o estudo. Em 2000, apenas 16,8% dos estudantes disseram acessar a rede mundial de computadores em casa. Em 2009, foram 58,3%, - um crescimento de 247%. Nesse quesito, a média dos países-membros da OCDE atingiu 88,9%, ou 30,6 pontos porcentuais a mais.
Apesar do crescimento, as diferenças sociais permanecem: somente 15,5% dos estudantes que pertencem ao quarto mais pobre da população afirmaram ter computador em casa. Entre o quarto mais rico, esse número atinge 86,9%. Quanto ao acesso à internet em casa, 27,2% dos estudantes que pertencem ao quarto mais pobre da população acessam a internet de casa, enquanto 88% do quarto mais rico o fazem.
Os números divulgados nesta terça são resultados de uma análise minuciosa do Pisa, avaliação internacional que mede a qualidade internacional da educação. De acordo com os dados gerais, divulgados em dezembro do ano passado, os estudantes brasileiros ocupam apenas a 53ª posição, atrás de nações como Chile, Trinidad e Tobago, Colômbia, México e Uruguai. Nesta avaliação, é levado em consideração o desempenho de alunos da sétima série em diante. [Fonte: Veja]

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