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9/13/2013

Professor não detém exclusividade do saber, diz pesquisador da Nasa

O pesquisador acredita que a inteligência artificial irá alcançar a inteligência humana entre 2029 e 2045
Foto: Sinepe/RS / Divulgação
No centro de pesquisa em que o venezuelano Jose Luis Cordeiro trabalha, nos Estados Unidos, a missão é ambiciosa: "educar, inspirar e capacitar líderes para aplicar tecnologias exponenciais para enfrentar os grandes desafios da humanidade". Pudera: Cordeiro é pesquisador da Nasa, na Singularity University – mais conhecida como a Universidade do Futuro, localizada na Califórnia (EUA).
Nascido em Caracas há 51 anos, o venezuelano correu o mundo para chegar à concepção atual que tem de educação e tornar-se uma referência mundial na defesa do uso da tecnologia em favor do aprendizado. Passou pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Cambridge (EUA), onde se formou e fez mestrado em engenharia mecânica; estudou economia internacional e política comparada na Georgetown University, em Washington (EUA); e fez MBA no Institut Européen d’Administration des Affaires, em Fontainebleau (França). Já o doutorado foi realizado entre o MIT, o Institute of Developing Economies, em Tóquio (Japão), e a Universidad Simón Bolívar, em Caracas.
Se as escolas não adotam tecnologias para o futuro, elas serão ignoradas pelos estudantes
Jose Luis Cordeiropesquisador da Nasa
A experiência ao redor do mundo – foram mais de 130 países visitados, em cinco continentes – alimentou suas teorias sobre educação. Entre as ideias que defende estão o uso da internet para democratizar o ensino, a liberdade para que as potencialidades dos estudantes apareçam e uma certa obsolescência do professor, que não detém mais a exclusividade sobre o saber, e sim as ferramentas para facilitar o aprendizado. Mas ele tem uma esperança. "Finalmente, a educação parece estar mudando e se tornando mais independente e personalizada", afirma.
Em recente passagem pelo Brasil, em julho deste ano, Cordeiro pôde acompanhar qual o estágio da educação no País. Para o pesquisador, qualquer cidade tem potencial para produzir singularidades. Porém, ele alerta para a urgência de uma mudança na proposta de aprendizagem, já que, acredita, a inteligência humana corre o risco de ser ultrapassada pela artificial em breve. Ele falou sobre essas e outras ideias envolvendo educação e tecnologia nesta entrevista exclusiva para o Terra. Confira:
Terra – Por que a inteligência artificial irá ultrapassar a humana?
Jose Cordeiro – Nós, continuamente, criamos computadores mais poderosos, baratos e rápidos. De acordo com a Lei de Moore, computadores dobram de capacidade a cada 10 meses. Se essa tendência continuar, a inteligência artificial irá alcançar a inteligência humana entre 2029 e 2045.

Terra – Se isso ocorrer, qual deverá ser o estímulo dos estudantes para acumular conhecimento?
Cordeiro – As pessoas precisam decidir se elas querem se juntar ao futuro ou permanecer no passado. A comunidade Amish, nos Estados Unidos, e algumas tribos indígenas na Amazônia decidiram ficar no passado, enquanto a maior parte da humanidade continua andando para frente. No futuro, nós vamos nos misturar mais e mais com a tecnologia, não só com óculos e próteses, mas também com implantes cerebrais.

Terra – Se a diferente apropriação destas tecnologias está na singularidade das pessoas, como lidar com uma educação que molda os estudantes e não respeita suas particularidades?
Cordeiro – A educação precisa mudar radicalmente se as pessoas querem seguir adiante. Nós ainda usamos métodos de ensino que estão séculos defasados, enquanto muito mudou no mundo. Agora, finalmente, a educação parece estar mudando e se tornando mais independente e personalizada. Os MOOCs (sigla, em inglês, para Curso Online Aberto e Massivo) são somente um exemplo de como as tecnologias estão radicalmente mudando a educação hoje.

Terra – Com a experiência de ter passado por mais de cem países, o que o senhor acredita ser crucialmente diferente no ensino nos cinco continentes?
Cordeiro – A educação é, em geral, muito conservadora, em quase todos os lugares. Mas, agora, a tecnologia permite o aprimoramento de todo o processo educacional. Dois países estão fazendo grandes mudanças na área da educação: Finlândia e Coreia do Sul, e ambos deveriam ser estudados e entendidos como exemplos de um novo sistema educacional.

Terra – O senhor vê a internet e os bancos de dados como formas de imortalizar o conhecimento?
Cordeiro – Sim. Assim como os livros permitiram imortalizar nosso conhecimento depois da invenção da escrita, a internet irá continuar este processo e tornar todo conhecimento da humanidade disponível para qualquer um, em qualquer lugar e a qualquer momento. Projetos como o Google Loon (no qual serão usados balões para levar internet a áreas mais remotas) irão tentar tornar a internet livre e disponível para todos, em todos os lugares e a todo momento.

Terra – Para o senhor, a internet pode ser comparada com qual outra invenção histórica?
Cordeiro – A internet pode facilmente ser considerada a terceira mais importante tecnologia da história da humanidade, depois da língua falada e da escrita.

Terra – E a inserção da internet nas escolas é comparável a que outro momento histórico?
Cordeiro – A internet irá democratizar a educação e a aprendizagem muito mais do que a criação das primeiras escolas e a invenção dos livros.

Terra – A partir das suas ideias, uma humanidade mais evoluída seria centrada no conhecimento, a partir também da revisão de valores que temos hoje. Qual o papel dos professores neste quadro?
Cordeiro – Professores são parte integrante do processo educativo, não só como doadores de conhecimento, mas também pela troca de sabedoria. Os professores, no futuro, serão mentores e instrutores da experiência de aprendizado dos estudantes.

Terra – Se as escolas não preparam para o futuro, elas podem se tornar obsoletas?
Cordeiro – Sim. Se as escolas não adotam tecnologias para o futuro, elas serão ignoradas pelos estudantes. MOOCs são um exemplo de mudança radical, porque fazem justamente isso, contornam a educação formal.

Terra – Quais características básicas devem ter os professores que preparam os alunos para o futuro?
Cordeiro – Em espanhol, nós temos este famoso ditado: "El diablo sabe mas por viejo que por diablo" (em português, "o diabo é mais sábio por ser velho do que por ser o diabo"). O mesmo pode ser dito sobre os professores: que sabem mais por sua longa experiência com estudantes do que por algum conhecimento específico sobre um assunto em particular. Hoje, estudantes podem rapidamente aprender mais sobre qualquer assunto do que a maioria dos professores sabe, mas os professores ainda têm a vantagem da pedagogia e da experiência.

Terra – Como você enxerga a educação brasileira neste contexto de transformação?
Cordeiro – A educação no Brasil precisa adotar as tecnologias mais recentes se o País realmente quer se mover para frente. Os jovens são curiosos, eles querem aprender, e nós precisamos de uma ativadora e inspiradora educação que permita aos estudantes usar estas tecnologias inovadoras para melhorar e ampliar seus processos pessoais de aprendizado.

Terra – Mesmo fora do eixo EUA-Europa, o Brasil tem potencial para formar singularidades?
Cordeiro – Com certeza. Qualquer país, qualquer cidade, qualquer indivíduo tem potencial para se sobressair. E, nos próximos 10 anos, uma rede mundial de computadores livre irá realmente democratizar o aprendizado ao redor do planeta.[Fonte: Terra]

4/10/2013

Plataforma dá feedback para educadores melhorarem aulas


Desenvolvida sobre os pilares interação, aprendizagem social e avaliação, a plataforma Edthena, disponível por enquanto somente no idioma inglês, tem como objetivo dar suporte ao “meio” e fornecer as “mensagens” para os educadores melhorarem as suas aulas. Se isso já faz lembrar o filósofo e educador canadense Marshall McLuhan, que cunhou a expressão “o meio é a mensagem” na sua tese central, muito mais do conceitual mcluhaniano pode ser identificado nesse espaço web à medida que se navega na plataforma.
A Edthena elege como ferramenta essencial o vídeo. Esse é o meio. Somente enviando um registro audiovisual para a plataforma, com o conteúdo de uma aula própria, o educador poderá receber feedbacks de outros educadores e de monitores credenciados na mesma rede. Os feedbacks podem começar a aparecer instantes seguintes ao upload. Essas são as mensagens. O coaching on-line, portanto, depende das interações feitas a partir do vídeo. Ainda focando McLuhan, no livro Revolução na Comunicação (1968) o pesquisador defendia que “a tarefa educativa não é fornecer, unicamente, os instrumentos básicos da percepção, mas também desenvolver a capacidade de julgamento e discriminação por meio da experiência social corrente”.
O professor disponibiliza a sua metodologia, “abre” a sua produção para outros profissionais em troca de dicas, de sugestões, de novos caminhos
No ambiente do Edthena, a experiência social é essencial para a percepção. Os retornos, ou “pitacos” de quem faz parte do universo “aulas”, fomentam a experiência do coaching on-line, a proposta central para o educador ali presente. Tudo se dá sob a moeda da troca. O professor disponibiliza a sua metodologia, “abre” a sua produção para outros profissionais em troca de dicas, de sugestões, de novos caminhos. Ao mesmo tempo, está ali igualmente credenciado para se colocar no papel de avaliador.
Mesmo com a dinâmica de rede social, o Edthena não se trata de um espaço de interações abertas. O educador que está ali sob avaliação faz parte de um grupo. A plataforma foi pensada para ser oferecida diretamente a instituições depois que o professor de ciências Adam Geller, o empreendedor responsável pelo projeto Edthena, constatou a falta de feedback de qualidade das instituições de ensino para os seus corpos docentes. Por isso são as instituições que pagam pelo serviço dependendo do número de usuários individuais que levem para o ambiente. “Eu fui inspirado a pensar sobre modelos de apoio que podem ajudar rapidamente um educador a melhorar [a sua atuação] mesmo em uma situação de recursos limitados”, disse Geller em entrevista ao blog EdTech Rising.
Fui inspirado a pensar sobre modelos de apoio que podem ajudar rapidamente um educador a melhorar (a sua atuação) mesmo em uma situação de recursos limitados
Adam Gellerresponsável pelo projeto Edthena
O modelo parece estar agradando. No primeiro ano de funcionamento, foram cerca de 20 mil horas de instrução registradas na plataforma, de acordo com dados fornecidos no próprio site da Edthena. A parceria com instituições como a Universidade de Washington e a organização não governamental Teach for America, da qual ele faz parte, reforçaram a atuação, que cresceu no segundo ano, quando mais de 25 mil horas de instrução já haviam sido registradas antes mesmo de a última mensuração para 2012 ter sido realizada.
Para a pesquisadora do Núcleo de Comunicação e Educação da ECA-USP e professora da disciplina “Produção coletiva de vídeo” no curso de pós graduação semipresencial Tecnologias na Aprendizagem (Senac-SP), Márcia Coutinho, a experiência coletiva, seja para a formação de educadores ou para a produção efetiva de um material para fins didáticos, carrega sempre muito potencial. Ela chama a atenção, porém, para a possibilidade de o conteúdo do vídeo, em casos de pouco conhecimento técnico do educador, ser criado, usado e até replicado de forma incipiente. “Mas até para essa evolução técnica pode ser que as opiniões trocadas no ambiente online colaborem”, diz Coutinho, que faz questão de frisar que não considera fundamental para o sucesso de empreitadas como a da Edthena que os usuários dominem a questão técnica.
“Em um trabalho colaborativo de formação, o que precisa estar claro para todos é o objetivo daquela formação e a metodologia, mas é óbvio que se tivermos um material audiovisual estático e conservador, não teremos o mesmo potencial de um material interativo”, avalia ela, que há mais de 10 anos forma, em ambientes online, professores e mediadores para o uso das tecnologias na educação.[Fonte: Terra]

3/10/2013

Com ajuda de alunos, professor cria web TV e cobre temas da cidade


O uso de tecnologia dentro da sala de aula ainda é motivo de inquietação para muitos educadores. Mas em Campo Bom, município gaúcho a 50 quilômetros de Porto Alegre, um professor não só criou uma web TV com a ajuda dos alunos como levou o projeto para fora dos limites da escola. No começo de 2009, o professor de português Jorge Cesar Barboza Coelho, 35 anos, e seus alunos lançaram o CBB WebTV, iniciativa que mudou a realidade da Escola Municipal de Ensino Fundamental Borges de Medeiros e da cidade.
A partir de uma sondagem entre os alunos, Coelho chegou ao diagnóstico de que a televisão, o celular e outros aparatos tecnológicos estavam presentes na vida de mais de 90% dos estudantes. Seguindo um dos seus princípios, de que projetos não podem partir somente do educador, o professor convocou alunos, pais e colegas de profissão para pensar uma forma de se apropriar da tecnologia e tornar a dinâmica das aulas mais atraente, com a criação de um novo projeto de ensino. "Envolvemos os estudantes em todo o processo. Primeiro provocando, perguntando se eles achavam as aulas chatas e o que poderia mudar, até chegar no nascimento do CBB WebTV", explica o professor.
O CBB (sigla para Clube dos Blogueiros do Borges, em referência à instituição em que foi criado) é um núcleo de ideias em forma de WebTV, em que alunos - em sua maioria de 10 a 15 anos - elaboram notícias, reportagens, documentários, entrevistas, enquetes e programas sobre o cotidiano escolar e outros interesses jovens. Além disso, promovem coberturas ao vivo dos eventos relevantes da cidade de Campo Bom. Em 2011, o projeto evoluiu, e a grade foi organizada em diversos canais: o CBB News, o CBB Live, o CBB Defender (reportagens sobre bullying) e o CBB Sports.
Projeto inspira outras escolas da cidade
Com recursos da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, o projeto envolve anualmente cerca de 100 alunos e hoje não se limita apenas à Escola Borges de Medeiros. Atualmente nove instituições da rede pública de Campo Bom participam da iniciativa. Esse sucesso do CBB WebTV fez com que o coordenador se tornasse um dos dez ganhadores do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 de 2012, concedido anualmente pela Fundação Victor Civita.
O projeto também esteve entre os vencedores da 6ª edição do Prêmio Professores do Brasil, iniciativa do Ministério da Educação (MEC) e, em 2011, representou o País na seletiva internacional do Prêmio Educadores Inovadores da Microsoft, em Washington (Estados Unidos), após vencer a etapa nacional. O trabalho do professor em frente ao projeto foi reconhecido também pela administração municipal: Coelho foi convidado, no começo de 2012, para trabalhar na Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Campo Bom.
A mudança na dinâmica da sala de aula causada pelo CBB - que já envolveu, desde o início, cerca de 800 alunos - incentivou outros professores a pensar em novas formas de avaliação. "São necessários exemplos motivadores que incentivem os professores a ousar. Hoje a maioria está envolvida no CBB e inclusive usa alguns programas como avaliação em suas disciplinas", conta Coelho. A forma de avaliação tradicional é alvo de críticas do coordenador do projeto. "Na escola, não há espaço para o aluno errar. Você faz uma prova e, se se equivocar, perde nota. E na vida não é assim. Nós erramos, é normal. Errar e aprender com o erro. Temos que estar cientes disso no momento de avaliar alguém e de criar dinâmicas de aprendizado", opina.
No começo do projeto, segundo o professor, alguns alunos até buscavam participar em busca de uma compensação no boletim. Hoje, segundo ele, todos se envolvem muito mais, "vestem a camisa em diversas frentes", como por exemplo, campanhas de arrecadação promovidas pela escola, que acabam sendo lideradas por integrantes do CBB. Para o professor, a impressão é de que a cidade passou a valorizar mais a educação e a escola depois do projeto. "Isso se deve ao fato de não fazermos do CBB WebTV uma ação isolada. Nossa intenção é integrar cada vez mais pessoas", diz.
Qualquer estudante pode fazer parte do CBB WebTV, enviando matérias e trabalhos. Quando o nível de comprometimento é alto, este aluno recebe o título de CBB Master e passa a fazer parte de uma equipe fixa, que auxilia estudantes e educadores nas ações digitais. Um dos CBB Master é Gabriel Tonin, aluno do 9º ano da Escola Estadual Borges de Medeiros. Envolvido no projeto desde o princípio, o estudante de 13 anos criou o canal que hoje se chama CBB Games.
"Fazíamos programas com jogos como Age of Empires e íamos aprendendo sobre a Idade Média, por exemplo. Discutíamos como os castelos eram construídos e de que maneira as armaduras dos guerreiros medievais eram feitas", explica o estudante. Para Gabriel, a máxima "estudar se divertindo" é o melhor do projeto. [Fonte: Terra]

Crianças aprendem mais cedo e deixam professores para trás




A grande problemática hoje seria como transformar a informação da internet em conhecimento, função que caberia ao professor


Não só as crianças hoje têm cada vez maior acesso a números e textos como elas desenvolvem a habilidade de formular ideias sobre essas informações muito antes do que se pensava. Estudos realizados pelas pesquisadoras argentinas Susana Wolman e Claudia Molinari indicam que essa capacidade de compreensão de dados pode se iniciar já aos três anos. A par disso, a Fundação Victor Civita (FVC), órgão que busca a melhoria da qualidade da educação básica no Brasil, tem refletido sobre as formas de aprimorar o ensino neste cenário de expansão tecnológica e amplo acesso das crianças à informação. E todas as respostas caminham para um ponto: a formação dos professores.
A formação dos professores precisa ser voltada à realidade das escolas, para a prática. Dessa forma, os profissionais poderão induzir os alunos a usarem a internet e outras tecnologias de forma positiva
Angela DannemannDiretora da Fundação Victor Civita
Diretora-executiva da FVC, Angela Dannemann considera que, como este é um fenômeno ainda recente, só será possível uma avaliação completa dos prós e contras quase irrestrito e constante à informação em alguns anos. A grande problemática hoje seria como transformar essa informação em conhecimento, função que caberia ao professor. Mas, de acordo com Angela, a formação dos educadores ainda não condiz com os novos paradigmas da sala de aula, impedindo que ele assuma esse posto. "A formação dos professores precisa ser voltada à realidade das escolas, para a prática. Dessa forma, os profissionais poderão induzir os alunos a usarem a internet e outras tecnologias de forma positiva", diz.
Uma pesquisa da fundação, realizada ainda no ano de 2009, que analisou o uso de computadores e da internet em escolas públicas de 13 capitais brasileiras, confirma que, já naquele ano, existia infraestrutura na maioria das escolas que possibilitaria fazer uso pedagógico dos computadores com alunos. "No entanto, a preparação de professores e gestores ainda é um problema", conclui o estudo.
Choque de gerações dificulta
Informação sempre houve. O que mudou é a forma como esses dados chegam às crianças, de forma mais rápida e menos filtrada, por meio, principalmente, da internet. Enquanto a nova geração já nasceu com smartphone no bolso e perfil no Facebook, a geração anterior ainda busca adaptação a essas novidades, aprendendo suas multifunções. O fato dos alunos iniciarem a vida escolar já estimulados pelo vasto acesso à informação transforma a cultura de ensino do "um para todos" para uma lógica colaborativa, na qual o professor trabalha como um mediador da informação, organizando e qualificando os conteúdos em questão. "A tecnologia é mais colaborativa, e com isso se tem um ganho muito grande", analisa o psicólogo Adriano Gosuen, especializado em Educação e Direitos da Criança e do Adolescente.
 "Os alunos podem ensinar o professor a criar um blog para a turma, mas é o professor quem deve mediar o conteúdo ali disposto", salienta Gosuen. Para ele, com a apropriação por parte dos alunos de novas tecnologias, é preciso que a escola mude a forma como ela se vê em relação à criança. "A escola tem de ensinar aos alunos como lidar com as informações recebidas; ensiná-los a ter uma leitura crítica", diz.
Maria Helena Silveira, 43 anos, mãe de Marcelle, 15 anos, e Maria Clara, 6 anos, considera positiva a adaptação das escola às novas tecnologias, afinal, as crianças já chegam à idade escolar com habilidades nessa área. Cabe à escola oferecer meios para que a criança faça um bom uso delas. "Se a escola disponibiliza material via internet, facilita a vida dos alunos: grupos podem trabalhar online, evitando saídas e encontros na rua", diz Maria Helena, salientando a questão da segurança.
A mãe conta que Maria Clara, que frequenta o 1º ano do ensino fundamental, já possui um tablet e apresenta grande facilidade no manuseio de aparelhos tecnológicos. "Quando eu encontro dificuldades no celular, ela que me ensina a mexer", diz. [Fonte: Terra]

10/30/2012

Currículo escolar deve levar em conta internet, sugere estudo


Pesquisa da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) constatou que, apesar do crescimento do uso da internet pelos jovens, a educação pública não acompanhou esta evolução. "Com tantas mudanças no mundo, o currículo das escolas não se alterou", afirma a professora Juliana Santos Albach, autora do estudo. Ela entrevistou alunos do último ano do ensino fundamental de uma escola em São Paulo para chegar às conclusões do trabalho. As informações são da Agência USP de Notícias.
Os estudantes contaram que usam a internet corriqueiramente em suas vidas. Os professores conhecem esse fato, mas o currículo das escolas não atenta para isso: as tarefas não têm orientação para a pesquisa na rede. A instituição de ensino não se prepara para propor ou receber trabalhos utilizando essa ferramenta.
O uso da internet para auxiliar em pesquisas para a escola é unânime entre os alunos entrevistados. Existe, porém, uma visão geral entre eles de que os trabalhos não são aproveitados. "Eles acham que estes trabalhos vão para o lixo", conta Juliana. Por falta de orientação e retorno, as tarefas escolares acabam ficando sem significado.
Os alunos contaram que não existe problematização do tema dentro da sala de aula. "Ninguém discute o assunto", conta a pesquisadora. "O currículo escolar é estático", ressalta. A pesquisa, intitulada Os usos que os jovens fazem da internet: relações com a escola, procurou exatamente tornar a questão pauta do debate acadêmico.
Alguns estudantes afirmaram que a Wikipédia chega a ser recomendada por alguns professores como fonte de pesquisa. Isso demonstra que as possibilidades da internet não foram totalmente compreendidas, visto que a ideia de se pesquisar em uma enciclopédia, como se fazia antes do advento dessa ferramenta, ainda é utilizada. Essa forma de pesquisa é apenas uma reconstrução do mesmo método usado há muito tempo em outra plataforma. [Fonte: Terra]

8/01/2012

Professores usam redes sociais para atrair participação dos alunos


No momento em que os jovens estão cada vez mais envolvidos com redes sociais, professores buscam maneiras de tornar a internet, vista por muitas escolas como um problema, uma ferramenta para auxiliar na educação. O objetivo destes educadores é tornar os alunos protagonistas do processo de aprendizado.
Para o educador do Colégio Bandeirantes, em São Paulo, Alexandre Le Voci Sayad, poucas vezes o aluno tem espaço para dar sua opinião, mas as redes sociais se tornaram uma extensão da sala de aula onde a participação do estudante é bem-vinda. "O que faz a diferença é você parar de dar soco em ponta de faca, de achar que tudo que o jovem faz é errado. O desafio como educador é pegar o que faz sentido para o jovem e potencializar", diz.
Com o uso das redes sociais, há um envolvimento maior dos alunos, segundo o professor Paulo Cesar Campos da E.M.E.F. Ângela Cury Zakia, em Campinas (SP). Ele acredita que, quando o estudante começa a usar plataformas digitais como o Facebook, usando a sua linguagem, ele quer produzir, não apenas compartilhar publicações de outros. O professor ressalta ainda a importância de haver uma educação digital, que guie os alunos na navegação, com indicações de sites para pesquisa.
"Quando a gente pensa a educação, é claro que prezamos por coisas que são tidas como tradicionais, mas eu acho interessante quando o aluno deixa de ser só ouvinte e passa a ser participante", afirma o professor Ivan Ignácio Pimentel, do Colégio Marista São José, na Tijuca, Rio de Janeiro. Pelas redes sociais, o educador acredita poder avaliar o comportamento dos alunos em grupo e identificar espírito de liderança em alguns deles.
Iniciativa municipal capacita alunos e professores 
Paulo Cesar Campos é professor de artes e orientador do Projeto Aluno Monitor na E.M.E.F. Ângela Cury Zakia, iniciativa da Prefeitura Municipal de Campinas. O objetivo do projeto é capacitar estudantes para atuar como monitores na sala de informática das escolas, auxiliando colegas e professores, fazendo publicações em blogs e no YouTube. O professor participou de um curso de formação oferecido pela prefeitura para capacitar os monitores.

Em suas aulas, Campos também utiliza as redes sociais, tirando dúvidas e acompanhando a realização de trabalhos online. "Não aplico uma aula para os alunos do 6º ao 9º ano sem usar multimídia, pois, dependendo da discussão, posso facilmente acessar um vídeo sobre o assunto, abrir sites de pesquisa, blogs e fóruns de discussão", conta.
Em parceria com a professora Eliane Lucy Marcelino, alfabetizadora da turma, o professor de artes realizou uma atividade com os alunos do 4º ano. Eles pesquisaram músicas e textos em sites indicados e gravaram vídeos com encenações de fantoches. Projetos semelhantes são realizados com outras turmas, em que são feitas pesquisas sobre diferentes assuntos e, em seguida, gravados vídeos. Para ele, a rede é entretenimento e trabalho, por isso "é preciso ensinar os alunos a utilizar a internet sem preconceitos em relação ao seu uso como forma de expressão".
Idade Mídia, a comunicação como curso extra classe
Educador e jornalista, Alexandre Le Voci Sayad criou, há dez anos, o curso extra classe Idade Mídia, no Colégio Bandeirantes, direcionados a alunos do 2º ano do Ensino Médio. "A ideia é que eles entendam a mídia e produzam a mídia deles, é misturar educação e comunicação. Com a chegada das redes sociais, nada mais natural, para mim, do que usá-las", afirma.

No curso, os estudantes realizam a cobertura de eventos envolvendo o colégio, como campeonatos esportivos, por meio do Twitter e do Facebook. O microblog também é utilizado pelo educador para transmitir as aulas, através da twitcam. Além das coberturas, a comunicação é vivenciada por meio de projetos escolhidos pelos estudantes. Algumas turmas produzem revistas, outras, documentários.
A cada ano, o curso muda, de acordo com a tecnologia, passando pelos blogs e pelas diferentes redes sociais. O projeto incentivou outros professores a utilizarem a internet. Aos poucos, cada um foi criando seu blog e, hoje, todos utilizam esse recurso voluntariamente, segundo Sayad. O educador escreveu um livro que leva o mesmo nome do curso, Idade Mídia, falando sobre a iniciativa para que sirva de inspiração para a criação de outros cursos.
Sustentabilidade no Facebook
No Colégio Marista São José, existe a disciplina de sustentabilidade, ministrada pelo professor Ivan Ignácio Pimentel. Para trabalhar o conteúdo, ele criou um projeto para discutir questões econômicas e ambientais relacionadas ao lixo, tratando de temas como reciclagem e cooperativismo.

Os alunos criaram produtos a partir de materiais considerados lixo, como garrafas pet. O Facebook foi utilizado para a divulgação das criações. "A ideia foi utilizar uma ferramenta simples, onde os alunos e a sociedade tivessem acesso", afirma Pimentel. Foram criadas páginas vinculadas às turmas, cada uma delas trabalhou como uma cooperativa. Os objetivos eram estimular o interesse dos alunos a acompanhar a evolução do projeto, proporcionar a interação entre eles e mostrar a importância da rede. A partir da iniciativa, outros novos projetos foram criados e serão desenvolvidos em outras disciplinas no próximo semestre.[Fonte: Terra]

Professores usam redes sociais para atrair participação dos alunos


No momento em que os jovens estão cada vez mais envolvidos com redes sociais, professores buscam maneiras de tornar a internet, vista por muitas escolas como um problema, uma ferramenta para auxiliar na educação. O objetivo destes educadores é tornar os alunos protagonistas do processo de aprendizado.
Para o educador do Colégio Bandeirantes, em São Paulo, Alexandre Le Voci Sayad, poucas vezes o aluno tem espaço para dar sua opinião, mas as redes sociais se tornaram uma extensão da sala de aula onde a participação do estudante é bem-vinda. "O que faz a diferença é você parar de dar soco em ponta de faca, de achar que tudo que o jovem faz é errado. O desafio como educador é pegar o que faz sentido para o jovem e potencializar", diz.
Com o uso das redes sociais, há um envolvimento maior dos alunos, segundo o professor Paulo Cesar Campos da E.M.E.F. Ângela Cury Zakia, em Campinas (SP). Ele acredita que, quando o estudante começa a usar plataformas digitais como o Facebook, usando a sua linguagem, ele quer produzir, não apenas compartilhar publicações de outros. O professor ressalta ainda a importância de haver uma educação digital, que guie os alunos na navegação, com indicações de sites para pesquisa.
"Quando a gente pensa a educação, é claro que prezamos por coisas que são tidas como tradicionais, mas eu acho interessante quando o aluno deixa de ser só ouvinte e passa a ser participante", afirma o professor Ivan Ignácio Pimentel, do Colégio Marista São José, na Tijuca, Rio de Janeiro. Pelas redes sociais, o educador acredita poder avaliar o comportamento dos alunos em grupo e identificar espírito de liderança em alguns deles.
Iniciativa municipal capacita alunos e professores 
Paulo Cesar Campos é professor de artes e orientador do Projeto Aluno Monitor na E.M.E.F. Ângela Cury Zakia, iniciativa da Prefeitura Municipal de Campinas. O objetivo do projeto é capacitar estudantes para atuar como monitores na sala de informática das escolas, auxiliando colegas e professores, fazendo publicações em blogs e no YouTube. O professor participou de um curso de formação oferecido pela prefeitura para capacitar os monitores.

Em suas aulas, Campos também utiliza as redes sociais, tirando dúvidas e acompanhando a realização de trabalhos online. "Não aplico uma aula para os alunos do 6º ao 9º ano sem usar multimídia, pois, dependendo da discussão, posso facilmente acessar um vídeo sobre o assunto, abrir sites de pesquisa, blogs e fóruns de discussão", conta.
Em parceria com a professora Eliane Lucy Marcelino, alfabetizadora da turma, o professor de artes realizou uma atividade com os alunos do 4º ano. Eles pesquisaram músicas e textos em sites indicados e gravaram vídeos com encenações de fantoches. Projetos semelhantes são realizados com outras turmas, em que são feitas pesquisas sobre diferentes assuntos e, em seguida, gravados vídeos. Para ele, a rede é entretenimento e trabalho, por isso "é preciso ensinar os alunos a utilizar a internet sem preconceitos em relação ao seu uso como forma de expressão".
Idade Mídia, a comunicação como curso extra classe
Educador e jornalista, Alexandre Le Voci Sayad criou, há dez anos, o curso extra classe Idade Mídia, no Colégio Bandeirantes, direcionados a alunos do 2º ano do Ensino Médio. "A ideia é que eles entendam a mídia e produzam a mídia deles, é misturar educação e comunicação. Com a chegada das redes sociais, nada mais natural, para mim, do que usá-las", afirma.

No curso, os estudantes realizam a cobertura de eventos envolvendo o colégio, como campeonatos esportivos, por meio do Twitter e do Facebook. O microblog também é utilizado pelo educador para transmitir as aulas, através da twitcam. Além das coberturas, a comunicação é vivenciada por meio de projetos escolhidos pelos estudantes. Algumas turmas produzem revistas, outras, documentários.
A cada ano, o curso muda, de acordo com a tecnologia, passando pelos blogs e pelas diferentes redes sociais. O projeto incentivou outros professores a utilizarem a internet. Aos poucos, cada um foi criando seu blog e, hoje, todos utilizam esse recurso voluntariamente, segundo Sayad. O educador escreveu um livro que leva o mesmo nome do curso, Idade Mídia, falando sobre a iniciativa para que sirva de inspiração para a criação de outros cursos.
Sustentabilidade no Facebook
No Colégio Marista São José, existe a disciplina de sustentabilidade, ministrada pelo professor Ivan Ignácio Pimentel. Para trabalhar o conteúdo, ele criou um projeto para discutir questões econômicas e ambientais relacionadas ao lixo, tratando de temas como reciclagem e cooperativismo.

Os alunos criaram produtos a partir de materiais considerados lixo, como garrafas pet. O Facebook foi utilizado para a divulgação das criações. "A ideia foi utilizar uma ferramenta simples, onde os alunos e a sociedade tivessem acesso", afirma Pimentel. Foram criadas páginas vinculadas às turmas, cada uma delas trabalhou como uma cooperativa. Os objetivos eram estimular o interesse dos alunos a acompanhar a evolução do projeto, proporcionar a interação entre eles e mostrar a importância da rede. A partir da iniciativa, outros novos projetos foram criados e serão desenvolvidos em outras disciplinas no próximo semestre.[Fonte: Terra]

5/10/2012

O melhor professor do mundo, segundo 4 milhões de estudantes


Organização educacional sem fins lucrativos, a Khan Academy, está revolucionando o ensino online, seguindo rigidamente sua missão de “prover educação de qualidade para qualquer um em qualquer lugar”. A academia provê uma coleção de mais de 2.700 vídeos online abrangendo principalmente matemática, mas também astronomia, economia, finanças, física, história e química.
 O melhor professor do mundo, segundo 4 milhões de estudantes
Criada por Salman Khan, de 34 anos, a academia veicula seu conteúdo por meio de vídeos no YouTube, simples assim. Começou com explicações descomplicadas em vídeo, mas, depois de milhões de dólares em doações e um processo de expansão da companhia, a implementação ficou bem mais abrangente.
O portal tem exercícios que permitem testar o entendimento de cada lição, o que permite o acompanhamento do progresso usando métricas muito inteligentes. Os professores, mais conhecidos como "treinadores", podem facilmente monitorar o progresso dos alunos em grupos. Os estudantes, por sua vez, recebem crachás indicativos de mérito, como forma de mantê-los motivados. Tudo isso de graça.
 O melhor professor do mundo, segundo 4 milhões de estudantes
O sistema oferece um software que serve de professor, utilizando uma linguagem próxima à dos games, com pontuação de "energia" para representar as conquistas do aluno ao longo do aprendizado. Um vídeo com o próprio Sal Khan mostra o processo.
Os mapas de conhecimento foram construídos de maneira altamente intuitiva e fácil de usar, lembrando um pouco a filosofia do Google Maps, sendo que o mapa sendo visto, na verdade, é um esquema hierárquico de módulos interconectados que representam as etapas de aprendizado e os níveis de cada lição. E, além dos exercícios de teste, há também as avaliações.
Sal Khan, natural de Bangladesh, inspirou-se no projeto da academia enquanto servia de tutor para seus primos menores. Resolveu se preparar mais, desenvolvendo ferramentas de software para facilitar o ensino.
- A ideia de Sal Khan é genial. Ele quebra o conhecimento matemático em pequenas lições em vídeo com no máximo 12 minutos - comenta Bill Gates (veja o comentário dele em vídeo). - Vejo o Sal como um pioneiro, com sua metodologia que tem tudo para levar conhecimento de maneira fluida e agradável para os estudantes de qualquer lugar do planeta onde exista conectividade à internet. Sem dúvida, é o início de uma revolução.
As metas de Khan são ambiciosas e, segundo ele próprio, podem mudar o panorama da educação no mundo inteiro.
- Quero criar um modelo de escola online autônoma em que o aluno possa entrar sabendo apenas como usar o mouse e mais nada, e ir aos poucos se instruindo, galgando patamares, avaliando a si mesmo e crescendo em qualquer matéria de estudos - explica Khan.
É claro que algumas matérias não podem ser ensinadas em um ambiente puramente online com conteúdo pronto, como, por exemplo, redação. No entanto, que tal um futuro em que qualquer aluno possa ter acesso a conhecimento em seu próprio idioma (sobretudo no seu próprio ritmo de aprendizado), sem ter que pagar por esse aprendizado qualquer quantia a mais do que já paga por seu acesso à internet? É algo que poderá mudar o planeta.[Fonte: Canal do Ensino]

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