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2/07/2012

"iPad em sala de aula é como dar um videogame", diz educador



Sugata Mitra é pesquisador e professor de Tecnologia Educacional da Newcastle University, da Inglaterra, e professor visitante do Massachusetts Institute of Technology (MIT)
Foto: YouTube/Reprodução
Para o professor da Universidade da Inglaterra, Sugata Mitra, que participa da EducaParty, dentro da Campus Party Brasil 2012, a educação precisa sofrer uma drástica mudança estrutural e ideológica de paradigma. Na contramão de outros educadores, Mitra criticou em entrevista exclusiva ao Terra a prática cada vez mais comum em escolas e universidades, ao redor do mundo, de presentear os alunos com dispositivos tecnológicos com o objetivo de introduzir a tecnologia na educação. "Dar iPads, por exemplo, é fornecer ao aluno uma nova maneira de jogar videogames".
Segundo Sugata, os professores precisam introduzir a tecnologia dentro do processo educacional e usar os recursos como agregadores de conhecimento - e não substituidores de seres humanos. E, para isso, eles têm de olhar menos para os livros didáticos para entender o processo educacional. "A educação precisa acontecer de baixo para cima, e os professores têm que aprender com os alunos", afirmou o pensador.
Na opinião dele, um futuro melhor é feito por meio das dúvidas e das perguntas que fazem pensar - e não do simples ato de respondê-las. Por isso, o papel que o professor tem hoje é secundário. "Um professor, atualmente, responde perguntas dos alunos. Ele é o Google. Isso não está certo. O professor precisa ser mais do que o Google. Ele precisa ser a pessoa que também faz perguntas, que instiga a imaginação de um jeito provocativo", afirmou.
Convidado especial da Fundação Telefônica|Vivo, Sugata, que se assumiu ex-hacker, é o criador do projeto Hole in the Wall, aplicado em uma favela de Nova Délhi, na Índia, onde ele mesmo nasceu. Computadores eram colocados em uma sala e buracos na parede eram feitos. Educadores observaram, através dos buracos, as crianças tendo o primeiro contato com a web e concluíram que o aprendizado era autômato.
"Quando elas tinham dúvidas, elas perguntavam ao Google, entendiam a resposta e a memorizavam. Isso não é interessante?", provocou Sugata ao relacionar esta ação "digital" ao papel do professor contemporâneo. E é justamente neste ponto que a teoria encontra a prática de acordo com os resultados do estudo que ele propôs.
A primeira visita de Sugata Mitra à Campus Party
Sugata Mitra participa pela primeira vez do evento em 2012, mas já esteve no Brasil outras vezes. "Estou ansioso porque eu sei que é um encontro de tecnologia enorme e com muitas pessoas dispostas a falar sobre coisas novas", disse o professor.

Além de participar do EducaParty, ele também fará um encontro com um grupo de crianças do Parque Santo Antônio, em São Paulo, no qual discutirá o papel fundamental nelas na necessária revolução da educação.
Campus Party 2012
A Campus Party, o maior evento geek do planeta, realizado em mais de sete países, acontece entre os dias 6 e 12 de fevereiro de 2012. A sede é o Pavilhão de Exposições do Anhembi Parque, na zona norte de São Paulo (SP). Pelo quinto ano consecutivo no Brasil, a edição de 2012 já começou batendo recordes: todas as entradas foram vendidas em 22 dias em setembro do ano passado.

Com 7 mil participantes, sendo 5 mil acampados no local , a Campus Party oferece neste ano mais de 500 horas de conteúdo. Os principais nomes desta edição são Michio Kaku, conhecido como o "físico do impossível", Sugata Mitra, pesquisador e professor de Tecnologia Educacional da Newcastle University, Julien Fourgeaud, gerente de produtos e negócios da Rovio, John Klensin, pesquisador do MIT, e Vince Gerardis, co-fundador da Created By, entre outros.[Fonte: Terra]

7/05/2011

Coreia do Sul quer abolir papel nas escolas até 2015 e adotar Tablets


Os estudantes do Ensino Fundamental da Coreia do Sul irão deixar os livros e a papelada de lado. O país anunciou um investimento de US$2.4 bilhões para adquirir tablets e digitalizar conteúdo para os portáteis, substituindo o tradicional papel em todo o currículo escolar até 2015.

Algumas escolas já usam livros digitais em notebooks, mas, agora, as autoridades devem padronizar o método. Segundo o Technology Review do Massachusetts Institute of Technology (MIT), o Ministério da Educação ainda irá decidir os fabricantes e os modelos que serão adquiridos.

Conforme a publicação coreana The Chosunilbo, o material digitalizado incluirá fontes de referência, conteúdos multimídia e FAQs para auxiliar os alunos a compreender melhor as matérias. O governo ainda planeja implantar um sistema de computação em nuvem educacional em todas as instituições de ensino, para que os estudantes possam acessar facilmente o banco de dados de informações.

Graças a esse sistema, alunos poderão recuperar online aulas que tenham perdido e terão presença considerada pela administração escolar. O método pode beneficiar também estudantes que precisarem, eventualmente, passar longos períodos em hospitais, que poderão acompanhar as aulas remotamente.[Fonte: Adrenaline]

NOTA DO EDITOR DO BLOG:
Enquanto isso no Brasil ainda há milhares de escolas sem livros impressos e sem bibliotecas.

5/27/2011

Indicadores de uma Escola Moderna... Um "Checklist"




Fredric M. Litto
School of the Future, University of São Paulo
Brazilian Association for Distance Education
Email:
info@futuro.usp.br


Desde que venho focalizando as minhas atenções profissionais em certos aspectos da questão da Educação nos mundos contemporâneos e futuro (isto é, uns bons doze anos), tenho recebido freqüentes pedidos para "empacotar" num produto as idéias mais "quentes" sobre a pedagogia, fazendo assim algo padronizável ou até franchaizável. Nunca aceitei propostas de padronização por acreditar que cada instituição educacional, seja ela uma escolinha ou uma universidade, tem a obrigação de elaborar e executar sua própria configuração, ou sua proposta pedagógica.

Fico preocupado quando vejo a crescente adoção, por escolas brasileiras, de pacotes didáticos completos e padronizados preparados por empresas distantes (mesmo quando elas têm o nome de escola). Sinto que o fenômeno representa uma certa macdonaldização*da educação, que acaba obrigando o professor que atua numa escola que adota o pacote se tornar um balconista, em vez de um mestre-cuca. Não faz sentido exigir um diploma de curso superior de um professor que não tenha competência ou oportunidade para desenhar um plano de aula ou um currículo. Se acreditamos que o professor é a peça fundamental no relacionamento com o aluno e com sua aquisição das capacitações necessárias para a aprendizagem, temos que preservar o espaço criativo do professor, cada professor, cada grupo de professores, em cada escola ou universidade. Do mesmo jeito que aceitamos a idéia de que cada ser humano tem um estilo personalizado de aprender, temos que admitir que cada grupo de professores que compõe o corpo docente de uma entidade educacional tem o direito e a obrigação de fazer o plano arquitetônico da aprendizagem da sua instituição.

Como analisar a configuração pedagógica de uma instituição educacional? Bem, depende, porque assim como é desejável ter propostas diferenciadas de instituições diferentes na mesma cidade, temos de admitir que existem maneiras diferentes de analisar a forma pela qual cada instituição conduz o processo ensino/aprendizagem. Pais procurando uma escola para o seu filho, um adulto procurando um curso de mestrado para aumentar sua qualificação, uma fundação querendo premiar entidades educacionais com propostas inovadoras, um estudioso tentando observar tendências no processo ensino/aprendizagem--todos eles têm abordagens analíticas diferentes.

Como estudioso interessado no aperfeiçoamento do processo ensino/aprendizagem tendo em vista as mudanças que vêem ocorrendo nas últimas décadas nas tecnologias disponíveis para facilitar e aperfeiçoar o trabalho, tive que fazer, recentemente, a minha própria lista de características que considero importantes ao examinar uma escola ou universidade no tocante a seu ambiente de aprendizagem.A motivação, ao fazer essa lista, não foi a de criar uma "receita", ou um conjunto de práticas capazes de garantir sucesso.Foi o desejo de colocar numa lista, sem ordem hierárquica ou prioritária, algumas características que tenho observado nos últimos anos, não apenas em escolas brasileiras e do exterior, mas também encontradas na literatura especializada e em conclaves de profissionais.Duvido que qualquer instituição possa ou deva tentar implementar todos esses indicadores; da mesma forma, o grau ou intensidade de aplicação de cada conceito, sempre vai variar de uma instituição para outra.Esta lista, pelo menos, serve como um "checklist", uma relação de pontos de checagem, que induz a reflexão sobre alguns dos elementos importantes nas discussões sobre a modernização da Educação hoje. A lista poderia ter sido limitada a 8 itens, ou estendida a 20 itens--e assim mesmo em dois meses talvez eu queira subtrair ou adicionar algo, mas, ela serve para mim como um ponto de partida na discussão dos elementos com que eu e os meus colegas lidamos quase todos os dias.

INDICADORES DE UM PROCESSO ENSINO/APRENDIZAGEM MODERNA
A aprendizagem é organizada "sob medida" para cada aluno; isto é, o aluno é responsável por muitas das decisões que envolvem sua própria educação e a instituição maximiza o atendimento individual.
1.Há respeito pelos estilos individuais de aprendizagem de cada aluno, sem nenhuma tentativa de forçar os alunos a demonstrar o mesmo desempenho em todas as áreas acadêmicas.

2.O "sistema" didático encoraja aprendizagem "profunda" (compreensão consolidada das matérias, permitindo transferência de conceitos de um domínio para outro) em vez de aprendizagem "de superfície" (memorização de fatos).

3.Consegue um equilíbrio entre a aquisição de competências necessárias para sobrevivência no mundo moderno (identificar problemas, achar informação, filtrar informação, tomar decisões, comunicar com eficácia) e a compreensão profunda de certos domínios de conhecimento estudados.

4.Fornece ao aluno uma visão transdisciplinar do mundo (ver e compreender as interrelações entre as coisas), pela maneira de estudar as matérias.

5.Mudança do papel do professor, que em vez de ser responsável pela transferência de conhecimento, passa a ser responsável pelo "desenho" das atividades a serem realizadas pelos alunos, os quais assumem um papel ativo e não passivo no desenvolvimento da sua aprendizagem.

6.Aprendizagem realizada não pelo "decoreba", mas sim pela participação em projetos organizados em torno de problemas e que levem a "descobertas" pelos alunos de conhecimentos novos.

7.Apresentação de informação didática não apenas em forma textual, mas também em forma visual e sonora...multimídia

8.Ênfase no trabalho realizado em colaboração com colegas locais e à distância; reconhecimento do fato de que em um mundo cada vez mais complexo, é necessário trabalhar em equipe para poder solucionar problemas.

9.Ambientes de aprendizagem e de trabalho reproduzem suas qualidades nos produtos resultantes: ambientes fragmentados e isolados tendem a permitir a geração de produtos fragmentados e isolados.

10. Ambientes de aprendizagem e de trabalho devem ser ricos em apoios tecnológicos de todos os tipos, porque tais apoios permitem formas de aquisição de conhecimento mais ricas e mais eficazes do que as formas tradicionais.

11. Poucas provas ou exames, porque esses acabam testando apenas a capacidade de memorização do aluno; a melhor maneira de averiguar o progresso do aluno é pela manutenção de um portfolio de trabalhos onde cada aluno guarda sua produção, que é avaliada de tempos em tempos. Se é obrigatório ter um exame, então que seja um que dê informação ao aluno, solicitando que ela ou ela demonstre sua criatividade e segurança com o conteúdo reorganizando-o, comentando-o, aplicando-o em uma nova circunstância.


* Usei este termo pela primeira vez num artigo de fevereiro de 2000 e ao que parece, o conceito está se popularizando.

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